Das Parábolas que Lambiam o Sol… verso 2
espiritualidade, ética, individuação, missão de vida, valores
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Minhas noites vazias, vadias há dias…
Imploram a presença divina alfim…
A ponto de uivar pela noite obscura…
Por tanto chorar no limiar da loucura …
De que me adianta a matéria escura, a lama dos ossos do ofício, a mucura…
Se o amado não brilha como um sol, pra mim…
Ouço o calado limiar das almas…
No entanto, entre cantos o bater das palmas
Evocam um manto de aurora sublime …
Banhando meu corpo, meu trépido crime.
De querer existir com os teus serafins…
Por súbito golfadas de gozo celeste
No entanto o receio de que isto amoleste
O que é puro, ou se é sujo em meu corpo, esta veste…
De minhalma, meu torso, enebriante cauim
Por tanto enebriar nesse farto delírio…
Minha busca, o encontro, meu sólito tírio…
Nem sei se me vale dizer que o colírio dos olhos é te ver em meu baco-festim.

Pavitra Shannkaar é autor e escritor em ética, espiritualidade e autoconhecimento, também é terapeuta transpessoal, cantor e compositor da banda Ungambikkula, além de ser presidente da Cooperativa Cultural e Artística Ungambikkula. Autor do livro “Raiz das Estrelas”.
Compor a existência do Deus em que todos somos, requer justamente um único livre arbítrio de escolher ser. Tratar as suas passagens e metas com respeito, faz de você uma presença sólida e divina pela eternidade…
Afinal, o verdadeiro Deus, vestiu todas as roupas para expressar a manifestação e segue regendo essencialmente, todos os registros que mixam em mutação pela eternidade…

Pavitra Shannkaar é autor e escritor em ética, espiritualidade e autoconhecimento, também é terapeuta transpessoal, cantor e compositor da banda Ungambikkula, além de ser presidente da Cooperativa Cultural e Artística Ungambikkula. Autor do livro “Raiz das Estrelas”.
Convocado para um embate de infantaria, o pobre rapaz encontrava-se em um amofinado conflito. Matar era até então, o feito mais proibido que ele reservava em seu repertório e agora teria que fazê-lo, mesmo que isso fosse contra todas as suas crenças sobre o pecado. Aflito, Jonny foi ter-se com um sacerdote para confessar e consolar-se. — Senhor, não sei como farei, não tenho instinto para matar, não esperava nunca ter que matar em toda minha vida e agora fui convocado para guerrear… Ao que o sábio zagal respondeu:
— Meu jovem, há uma tensão forte nessas escolhas, por um lado existem os valores que te ensinaram, e te fizeram crer até hoje quanto a Deus, forças da natureza, preservação da vida e o cuidado por ela no exercício da bondade. Por outro lado, os valores de uma nação que te sustentou e apoiou enquanto cidadão. Ora, os valores dessa nação, também fizeram parte dos valores religiosos, e agora obrigam-te a quebrar. — Como te sentes? Assim o pobre rapaz voltou a falar. — Se vier a matar alguém, vou sucumbir em seguida, não vou conseguir sobreviver a isso
Assim prosseguiu o cura:
— Existe uma linha muito tênue entre vida, morte, valores sociais e valores pessoais, esta, é uma hora muito íntima, tua consciência terá de encontrar um caminho entre esses, e de forma inteligente manter-te a salvo.
Imagem editada por Pavitra Shannkaar

E assim, Jonny voltou para casa questionado e ocupado em achar a linha do meio termo, mas o dia chegou.
Armado e uniformizado, ele estava a caminho da guerra, quando por súbito, uma poderosa bomba explodiu fazendo os rapazes voarem, obrigando-o a tomar uma decisão. Temporário, mas, completamente surdo e ensanguentado, Jonny correu a socorrer os mutilados, arrastando-os para um local quase seguro, somou as maletas de cura que todos traziam e começou a cuidar, afinal, essa era a sua natureza.
Durante cinco anos Jonny arrastou e cuidou de centenas de homens, mulheres, crianças e animais, dos dois lados da guerra, sem restrições. Sua personalidade, fortificou nessa direção e Jonny se viu então paradoxalmente satisfeito consigo.
Suas escolhas o salvaram, até que ao término da guerra, quando foi prestar contas de suas armas, no laudo constava que ele não havia disparado um tiro sequer, mas não por outro motivo, Jonny teve que enfrentar a corte marcial e conformar-se com sua condenação por covardia. Pois a função pela qual Jonny teria que haver correspondido em seu posto, não fora cumprida. Jonny não era paramédico, mas, soldado de infantaria. Até que sua condenação fosse oficialmente formulada, Jonny foi assim esquecido atrás das grades e um tempo passou.
Com traços de um homem não mais jovial, ele teve muito tempo para refletir, organizar os seus ressentimentos. Zelando-se mais à vida interior, acabou por se tornar um sábio, ainda que ninguém notara. Em seu ocioso tempo, ele passou então a educar o seu sentir. Dedicando-se especificamente ao aprimoramento emocional, desenvolveu técnicas na capacidade de forjar e construir estruturas quanto aos sentimentos de contentação e qualidade de amar.
Até que por fim de meia vida, sua liberação aconteceu.
Contudo, Jonny tornou-se um homem só, desses que prefere não depender de alguém. Mas ao sair da prisão, enquanto caminhava por um enorme jardim, o sábio encontrava-se absorto em seus estados de júbilo gratuito, quando de repente apareceu-lhe à frente o trépido vigário que contemplara à distância por horas o estado do bem-aventurado rapaz e lhe disse:
— O que aconteceu contigo? — Conta-me o teu segredo porque eu não aguento mais essa busca por Deus que não acalmou o meu coração. — Conta-me o que fizeste contigo para estar assim…
Ao que o sábio retornou dessa vez…
— Depois de todas as dores e carências, depois que tudo me fugiu pelas mãos, permiti ser tocado pelo Nada. Depois que nada mais era meu, veio o enorme vazio, seguido de luzes, galáxias, por tudo, o universo. O mais precioso é que lá estava eu, em todas as passagens, mas hoje, enquanto eu existo, em minha respiração, contemplo o todo. Do nada ao todo, e assim sou…

Pavitra Shannkaar é autor e escritor em ética, espiritualidade e autoconhecimento, também é terapeuta transpessoal, cantor e compositor da banda Ungambikkula, além de ser presidente da Cooperativa Cultural e Artística Ungambikkula. Autor do livro “Raiz das Estrelas”.
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