cURL Error: 0 esperança – Pavitra Shannkaar https://pavitrashannkaar.com.br Escritor em espiritualidade e autoconhecimento Thu, 01 Sep 2022 14:29:21 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://pavitrashannkaar.com.br/wp-content/uploads/2019/07/cropped-pavitra-shannkaar-perfil-1-32x32.jpg esperança – Pavitra Shannkaar https://pavitrashannkaar.com.br 32 32 Petro e Preto https://pavitrashannkaar.com.br/2022/09/01/petro-e-preto/ https://pavitrashannkaar.com.br/2022/09/01/petro-e-preto/#respond Thu, 01 Sep 2022 14:24:35 +0000 https://pavitrashannkaar.com.br/?p=1683 Petro era irmão de Preto, embora não fossem gêmeos pareciam univitelinos…

Ungidos de família negra, um era filho de Oxumarê, ouvindo eternamente um som de cachoeira nos ouvidos, dotado de uma criatividade maravilhosa acessando a sabedoria às raias da loucura…

Sua comunicação se tornava difícil, pois tudo se confundia um tanto com o roncador, sendo por isso, muitas vezes, guiado pelo irmão vivaz com ouvido absoluto…

Já o Preto, era filho de Oxaguiã, impetuoso, corajoso, combativo, romântico e sensual, que também apesar da luz, o orixá que traz a discórdia.

Ainda que confundidos com Ibeji, o orixá das crianças gêmeas que brincam, por vezes certas características os colocavam em maus lençóis, enevoados pela avidez.

Certa vez entrou pela aldeia um homem gritando que as águas iriam invadir, preocupando a todos, por tudo resolveram agir…

Cortaram troncos, reforçaram as casas, fizeram jangadas, vedaram as cercas para poderem resistir à intempérie que avizinhava, foram dormir, mas mantiveram-se alertas…

Preto, despachado e solícito, tomou as frentes de tudo, liderando a empreitada, visto que Petro assentou-se à uma pedra, sentiu e sentiu…

Ao longe, o ruído das águas alertou a Petro que começou a gritar…

– As águas estão vindo… as águas estão vindo…

Ao que Preto respondeu… – ele sempre ouve águas, só ouve águas, não levem tão a sério, estou aqui de alerta na frente da aldeia, quando chegarem as águas, vou avisar.

No entanto as águas chegaram pelos fundos…

Sorrateira e fria, acabou por sufocar as crianças, levando embora algumas, e com isso a paz daquele povo…

“Petro era irmão de Preto, embora não fossem gêmeos pareciam univitelinos…”

Aturdidos, Petro e Preto, permaneceram sentados e alertas, acometidos pela culpa e os anos passaram…

Um outro dia avizinhou e o homem voltou a gritar:

-Alerta, alerta!! Desta vez o sol vai queimar… cuidem de suas casas… De forma que não deu muito tempo, e o sapé fumegou, dando origem a umas fartas labaredas de fogo. Liderados por Petro dessa vez, todos correram para o rio à guisa de transportar muita água e assim acabar com o inferno muito mais difícil do que a outra ocasião, pois tudo tornara-se um emergente fardo.

Desesperados novamente os dois irmãos ajoelharam no meio e clamaram em uníssona voz grande:

O que não ouvimos? Por quê não somos ouvidos?

O que fazemos com a Geena?

De corações abraçados, pela primeira vez estavam juntos, unidos pelo som, e o estrondo retumbou no céu dando origem a uma tempestade de chuva nunca vista…

Ungidos pela fala e o coração, entreolhavam calidamente no fulcro do furacão testemunhando o estrondoso milagre, um disse:

Como é isso? Como fomos atendidos?

Fomos? Ou estamos atendendo? O arco-íris respondeu:

-Efetivamente não importa, é a verdade que faz acontecer…

“Como é isso? Como fomos atendidos?
Fomos? Ou estamos atendendo?
O arco-íris respondeu:
-Efetivamente não importa, é a verdade que faz acontecer…”

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Sobre o Autor

Pavitra Shannkaar é autor e escritor em ética, espiritualidade e autoconhecimento, também é terapeuta transpessoal, cantor e compositor da banda Ungambikkula, além de ser presidente da Cooperativa Cultural e Artística Ungambikkula. Autor do livro “Raiz das Estrelas”.

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No país das moscas https://pavitrashannkaar.com.br/2022/09/01/no-pais-das-moscas/ https://pavitrashannkaar.com.br/2022/09/01/no-pais-das-moscas/#respond Thu, 01 Sep 2022 13:28:03 +0000 https://pavitrashannkaar.com.br/?p=1649 Em alguns lugares da Ásia, há regiões tão cheias de moscas que de nada adianta espantar ou matá-las. Em meio aos desertos, sob o sol incandescente, elas pousam nos olhos, bocas, ouvidos, rostos; ali, o hábito das vestes longas com muitos tecidos sobrepostos protegem a pele de um acidente maior, mas somente as mãos e as faces permanecem expostas às contaminações.

Hakin, e sua irmã mais nova Zanin, órfãos de pai e mãe, treinados por um grupo de resistência, recebiam suas últimas instruções completamente ricas em abusos de referência para enfrentar a batalha, aprendiam:

-Hakin, entenda que algo drástico para as vidas das mulheres acontece como um desígnio do Destino, e em nome de nossa causa. Elas parem os nossos homens e fortalecem a nação, mas outras se transformam em moscas e por isso há tantas entre nós com uma missão ainda maior de espionar e escutar os planos do inimigo para, em seguida, zunir aos ouvidos dos nossos líderes inspirados que nos orientam em nome do que precisa ser, acontecer.

– Sua irmã acabou de se transformar entre os nossos mortos, vá se despedir, pois logo você irá batalhar, ela deve estar sobrevoando por ali.

Hakin era um menino corajoso e determinado, com onze anos, ao tudo, ele se acreditava pronto para o embate final, mas a informação que recebera, o deixou estarrecido, quanto à sagrada revelação. Como a última e principal iniciação, era a que lhe daria coragem para o desfecho, o golpe final, ante as mazelas da guerra, assim Hakin venceria o inimigo e não titubearia em trazer a vitória. Estarrecido, engoliu o choro mais uma vez e foi ter-se com a corajosa irmã para o último diálogo. Ela era a pessoa que ele realmente amava no mundo, e por isso organizou a seguinte estratégia.

Misturou mel com azul de anil, e fez um farto bochecho com a boca deixando todo o seu hálito índigo, mas doce como néctar para arrebatá-la. Convencido de que sua irmã, pelo amor que sentiam, seria a primeira mosca a lhe pousar nos dentes, resolveu marcá-la para identificar e conversar mais vezes.

“Misturou mel com azul de anil, e fez um farto bochecho com a boca deixando todo o seu hálito índigo, mas doce como néctar para arrebatá-la.”

Ingênuo, completamente sincero, o equivocado menino sentou-se ao putrefato necrotério dos homens, com a doce e atraente boca azul, escancarada para o devir, armou essa armadilha e assim foi.

-Zanin?! Dizia o menino abandonado…

-Por que você não me contou antes que essa era a sua missão?

– Nós teríamos tempo de conversar, eu te daria todo o meu amor, teria me preparado e te agradado mais, antes de você se transformar e partir… teria encontrado uma flor linda para você pousar, lhe traria a mais doce rapadura para lhe satisfazer, lhe daria minha última refeição inteira para você estar aqui quando eu voltar…

E descontrolado, caiu em prantos aos gritos, que para a sua desonra, desfizera todo o condicionamento para o flanco, e contudo passou a errar no mundo, como apenas uma criança perdida. Mas ainda assim, a sua preciosa mosca foi; foi ouvir os segredos dos fortes para depois informar.

Depois, ainda desolado, mas obcecado para os dias, acabou aprendendo que a mosca não era tão somente o frágil e nojento inseto que perturbava a todos. Ela trazia consigo o poder da adaptação, persistência, a coragem, a determinação, a capacidade de reciclar e sobreviver, culminando ao total em transformação, por tudo, seu potencial adquirido o tranquilizou mais.

Convencido de que não servia para mais nada e deixado para trás, desta vez Hakin sentado num oco de pau à entrada de uma bodega, ouviu uma voz que o chamava timidamente:

-Hakin?

Não deve ser, pensou a irmã… mas, tão parecido?

Ela ainda pensava com os seus botões quando ele boquiaberto virou-se.

Ali, ficaram um bom tempo entreolhando-se, compartilharam um profundo pranto calado, para depois abraçar…

Mas, logo que o coração acalmou, Zanin retirou do próprio bolso um escaravelho-do-esterco e contou:

Esperei por todos esses anos por sua ressurreição. Quando me ensinaram que ao morrer honradamente em batalha, você voltaria como o sagrado e místico besouro.

E então orei todas as noites.

Pedi para a minha sagrada mãe Ísis para te trazer de volta pra mim, mas um dia, misteriosamente quando eu orava no quarto, você entrou pela porta, eu chorei agradecida e guardei, disse ela com um escaravelho seco na palma das mãos.

– E assim, depois que ele morreu, como minha última esperança, venho o guardando para te encontrar…

Confortado, Hakin tirou um pequeno embrulho em papel de seda que guardava junto ao coração, gaguejando um choro entre as palavras e mostrando a mosca azulenta disse:

– Isto era você … foi você em minha vida por todo esse tempo…

Eles riram e choraram convulsivamente por algum tempo e ela disse:

Esperar é muito mais que aguardar, é reforçar a fé que no amor reside para seguir em frente, ante ao aprendizado final…

“Esperar é muito mais que aguardar, é reforçar a fé que no amor reside para seguir em frente, ante ao aprendizado final…”

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Pavitra Shannkaar é autor e escritor em ética, espiritualidade e autoconhecimento, também é terapeuta transpessoal, cantor e compositor da banda Ungambikkula, além de ser presidente da Cooperativa Cultural e Artística Ungambikkula. Autor do livro “Raiz das Estrelas”.

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