Meus 65 anos de idade!!!
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Mas há uma clássica e principal versão, que conta a estória de uma jovem princesa que passou sua vida até então, recusando todos os pretendentes que lhe eram apresentados, sendo que por um motivo ou por outro nenhum lhe servia.
Envergonhado, seu pai já não sabia mais o que fazer com a tal passagem e tudo acabou sendo levado à situação limite de extrema tensão.
Certa vez, Sedna caminhando pela neve, deparou-se com um majestoso pássaro branco que para a surpresa de seu pai, apaixonou-se profundamente com todas as características de sua obstinação. Por mais que seu pai a alertasse, ela prosseguia inflexível ante a seus argumentos, pois o tal pássaro também era um príncipe em pleno grassamento de reinado e eles assim casaram.
Logo após as cerimônias, o preocupado pai então preparou o seu barco, a pretexto de conduzir sua difícil filha para o seu novo lar, seu novo reino; tão logo o fez. Exultante, a menina Sedna chegara ao seu fadado destino com grande expectativa de assumir as riquezas.
Texto por Pavitra Shannkaar
ilustração “Sedna” por Kacie987

Radiante, a jovem princesa atracou na ilha a pretexto de abençoar e tomar posse de seu futuro reinado. Mas, qual não foi a sua decepção, ao discorrer por um vasto império de pedras e merdas. Desesperada, voltou-se para o seu pai, a intuito de pedir socorro e retornar à sua antiga casa, visto que desta forma poderia voltar a escolher um pouco mais os seus pretendentes. Porém, tão logo posto em prática o novo plano, a guerra começou. Ofendidos com a discórdia, os pássaros revoltados puseram-se a atacar com toda fúria a frágil embarcação e a menina caiu. Aflita, debatendo-se ao mar, ela então agarrou-se ao bote em apelo à sua salvação, mas os pássaros não paravam, em risco de tudo se tornar uma grande desgraça. Visto que ambos poderiam morrer, o descontrolado pai pegou o facão e decepou seus atracados dedos e a pobre menina afundou, esvaindo-se em sangue. Ainda para a nossa surpresa, ela volta a abraçar o barco, dessa vez sem os dedos, mas os pássaros não pararam, transformando tudo em uma desvairada dança da morte; dessa vez sem dúvida, esse pai volta a decepar seus antebraços enquanto quase que silenciosamente, a menina acaba por submergir, corando em vermelho tinto toda a área afetada. A embargo, algo ocorre por excelência. Pelos tocos dos braços decepados, ainda o sangue sagrado desdobra-se em vida, dissipado nas águas, dele passa a brotar toda a vida oceânica. Focas, peixes, baleias, outros mais e por consequência toda a vida na Terra.
Sedna é um mito de criação do mundo para o povo inuit, ela é uma deidade sagrada daquela cultura, daquela nação, mais do que santa, ela é a criadora do mundo.
No entanto, é de suma riqueza destrincharmos as matizes dessas emoções. Vemos, do meio da violência, renascer um amor pela vida, que foi cuidadosamente alinhavado pelo sentimento de consternação; isso pode nos causar tamanha surpresa, ao vermos a menina Sedna imersa em tão grande e profunda dor, pela perda de seus membros, seu conforto, seu reinado, seu pai e seu príncipe. Pois somente com a devastação total de seu próprio poder ela consegue encontrar o seu caminho legítimo, sua função no todo, por onde a reparação há de vir e beneficiar a si e aos demais.
Ter em sua vida uma passagem atrelada a um mito como esse pode lhe causar um enorme sentimento de perdição. Mas, quando são respeitadas as passagens iniciáticas correspondentes à sua vida, um grandioso poderio criativo inegavelmente emergirá de suas profundezas, pois este é um mito de criação do mundo, por onde um novo mundo há de renovar para si.

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Pavitra Shannkaar é autor e escritor em ética, espiritualidade e autoconhecimento, também é terapeuta transpessoal, cantor e compositor da banda Ungambikkula, além de ser presidente da Cooperativa Cultural e Artística Ungambikkula. Autor do livro “Raiz das Estrelas”.
Texto por Pavitra Shannkaar
Ilustração de Kaliani Dassi
De repente ambos se encontram numa passagem especial. Os portais se abrem, os ritos de passagens se aprumam desencadeando eventos surpreendentes que sinalizam as direções das verdadeiras e curativas mudanças. Nasce aqui uma necessidade real de um novo aprendizado. Rigoroso e austero, os reajustes são fundamentais, pois os valores e as vontades são forçados a receber um específico dissecamento, para que haja um salto qualitativo, na forma de se relacionar e prosseguir realizando na vida, no mundo. Quem estiver passando por algo parecido, vai entender prontamente as minhas palavras. No entanto, alguém menos preparado às mudanças resiste a eles, aos ritos de passagens. Resiste aos ensinamentos que a vida armou, quando um tropeço aqui pode ser fatal quanto às escolhas, às regras da nova vida a seguir. Frente às austeridades do rito, alguém passa a vitimizar, e quem estiver passando por isso nesse momento, saberá de quem estou falando. Pesando sobre o relacionamento sob as características de porneia, esse alguém busca resistir aos esforços que são exigidos pela passagem levando tudo a uma situação limite de extrema emergência. O portal continua lá, por mais algum tempo, para que todos possam passar, mas isso não durará para sempre.
Esse precioso portal situa-se no tempo de Kairós, o tempo das oportunidades para as melhorias da vida. No entanto, Kairós é um deus de movimento que traz consigo um farto cacho de madeixas na testa. Conta o mito, ele precisa ser agarrado por essa fronte para que as oportunidades se lancem.
Ainda, irascível e renitente, o tal ente volta a polarizar, relutando e pendulando para o impulso de morte, numa irresponsável postura, de pôr em risco de perder toda a oportunidade de melhorias. Com o pulso de extremo stress, um parceiro mais resoluto replica. – Desse
jeito não será possível prosseguirmos!
Porém, comportamentalmente em resposta, o perdedor se contrapõe com um espectro de insinuação no ar… – Ou você faz o que eu quero, ou eu me jogo em risco para me quebrar. Sou capaz de me mutilar a um limite que você não possa suportar em seu coração, por final, você acabará culpado e arrasado.
Começa aqui uma grandiosa dança da morte em que a culpa como personagem principal segue forçando rolar tudo ladeira abaixo, para nada mais ser. O amor que até então agraciava as iminências da vida, passou a ser uma facada no coração, pronto que lentamente o mágico portal passa a esmaecer e se encerrar, muito perto de cristalizar a passagem para um breve engodo.
Essa brincadeira de destruição dos sonhos, das esperanças, costuma ser algo muito previsível, ter como pano de fundo o medo da aventura, medo da vida. Medo, que na verdade levanta o fantasmagórico de não deixar enxergar, a passagem que sempre esteve e estará lá… A não ser que você estrague, a vida como um todo seguirá zelando por ela. Nessa ou numa versão melhor que talvez você ainda não ouse imaginar.
A função primordial do amor deve ocupar um lugar, como os braços de um amparo responsável. Amar, permitir, abençoar para ser melhor, pode e deve dar tom e ritmo a uma boa dança da vida. O dar e receber, pode e deve ocupar um papel iniciático para a bem-aventurança… No entanto, saber receber é tão importante quanto saber doar, o respeito aqui, soa como uma ferramenta preciosa…
E contudo, não seja maculado o verdadeiro sentido da vida.

Pavitra Shannkaar é autor e escritor em ética, espiritualidade e autoconhecimento, também é terapeuta transpessoal, cantor e compositor da banda Ungambikkula, além de ser presidente da Cooperativa Cultural e Artística Ungambikkula. Autor do livro “Raiz das Estrelas”.

Kaliani Dassi é artista, pintora, ilustradora e muralista da Cooperativa Cultural e Artística Ungambikkula, além de baixista da banda Ungambikkula. Ilustradora do livro “Raiz das Estrelas” de Pavitra Shannkaar.
Hoje eu faço 65 anos!


Nessa data, a primeira coisa que me passa pela mente, é que eu me mantive vivo e ultrapassei muitos desafios para estar aqui celebrando os meus dias. Ao longo dos anos, fui aprendendo a ficar comigo, fui aprendendo a me apoiar, me educar a escolher o que realmente queria ser, enfim, estar pronto para envelhecer. Há algum tempo adotei uma atitude aprendiz. Observei não só em mim, o que a vida pode fazer, mas, pude ver que à minha volta, tudo aprendia comigo, tudo aprende com tudo ainda que não se queira assim. Aprendi que a honestidade é a principal ferramenta do ser, e que as lições voltam mesmo que você não queira, não note. Aprendi que as cores, as formas, o som, exercem muita diferença ao nosso humor, quanto ao encanto e à magia da vida. Entendi a diferença entre amar e cismar, e que cantar libera, liberta… E apurei que a verdadeira natureza do ser é contemplativa. O ser está para o universo como a um eterno parceiro revezando lugar na criação.
Os dias avançam, eu sinto meu corpo mudar, não respondendo tão prontamente aos estímulos como antes. Mas toda a minha bagagem de vida, não mais vitimiza uma existência, e sim, forja à minha frente uma realidade, qual a um esboço de felicidade, pela sabedoria que a vida me emprestou.
E sim, hoje, estou mais para um zelador de jardim…

Pavitra Shannkaar é autor e escritor em ética, espiritualidade e autoconhecimento, também é terapeuta transpessoal, cantor e compositor da banda Ungambikkula, além de ser presidente da Cooperativa Cultural e Artística Ungambikkula. Autor do livro “Raiz das Estrelas”.
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Inesperadamente, aprumou-se em mim uma extensa linha de raciocínio. Este, o amor, é o motivo dessa paralização, o pânico de sua presa. O estado de amor expandido, a confusão entre o amor e a morte. Porém, aquele amor incomensurável há de alimentar o terrível vilão, a serpente. Amar aquilo que o alimenta é a nossa porneia, o amor de uma criança bebê por sua mãe, em nosso cérebro réptil; e dá origem à palavra pornografia.

Ilustração de Kaliani Dassi

Ainda mais tarde, ao admirar na natureza o comportamento de uma águia, pude observar o transe expandido. Com o campo energético ampliado grandiosamente diante de seu alimento ao abrir de forma dramática as suas asas, a águia emitiu seu terrível guinchado e atacou de forma direta e precisa nas vísceras (onde se encontra a maior fonte de energia, a usina energética daquele corpo) e deu-se então o delicioso banquete.
Nosso drama da criação é justamente o perene refluxo de violência, dor, sobrevivência, nutrição; amar e perder. Estar vivo é necessariamente alimentar-se de algo vivo e isso nos remete a um ciclo de violência que ainda não conseguimos parar. Infelizmente, nossa sobrevivência ainda depende de oblações. Amar é nutrir, amar é nutrir-se, só assim a vida pode perdurar. É estranhamente constrangedor observar o sistema autofágico em que estamos metidos. Permanecer vivo e nutrido faz parte de uma cadeia de violência e mortes. Estranhamente intrincada essa cadeia se torna quando analisamos a partir dos valores do ego e não do instinto; muito tempo já se passou e nós ainda não nos acostumamos com isso.
Aprofundando atenção sobre o fenômeno, podemos notar que a força da vitalidade repassa e muda de corpos através da nutrição. Muitos seres foram mortos e/ou sacrificados, para que você esteja nesse momento lendo essas mensagens, essas palavras. Sua vida, seu bem-estar, se deve ao sacrifício de muitas outras. Toda a vida na Terra prossegue submissa a essa lei. Por esse motivo, a reverência aos mortos é necessária ser mantida. Entender que a morte é a contraparte da vida, de sua subsistência. Essas duas energias, vida/morte, compõem uma mesma teia. A reverência resguardada serve para preservar a intenção de sua existência. Nós já sabemos que o nosso universo é moldado por intenções. Ter como intenção de uma vida o consumo e o descaso, não poderá preencher de boa forma o próximo universo a ser coagulado. Essa fronteira entre bem e mal precisa ser revista, a relatividade precisa ser observada mais de perto. A solução para os nossos problemas, infelizmente ainda adormece com a inconsciência. Conscientizar, é mudar percepção, coisas inconscientes, ou semi-inconscientes, ainda são problemas para nós.
Do ponto de vista do ego, um ato de egoísmo; do ponto de vista do instinto, algo muito natural. Talvez tenhamos aqui, um argumento favorável às observações de Hoyle. Mas, essa contradição da vida interfere mais do que você pode imaginar em sua psique, quanto à sua segurança e estabilidade de existência e presença. Pois do ponto de vista do ego, nessa questão, prosseguiremos vilões.
O pessimismo de Schopenhauer se deve ao fato de que o universo em que vivemos não é real. Sabemos que as percepções de visão, audição, olfato, paladar e táteis não correspondem à real estrutura do universo, pois o que vemos e nos serve de referência para as trocas de nossas necessidades é pertinente aos universos internos dos indivíduos. E só aqui, eu arrisco dizer que ao lidar diretamente com seus próprios sentidos, para evoluir, pode ser mais objetivo reconhecer o valor da metáfora. Temos ainda assim, uma base amorosa que nos sustenta, que nos mantém. Por isso, interpretar e ressignificar podem ser a salvação para o dissecamento da violência.
– trecho do livro “Raiz das Estrelas”

Pavitra Shannkaar é autor e escritor em ética, espiritualidade e autoconhecimento, também é terapeuta transpessoal, cantor e compositor da banda Ungambikkula, além de ser presidente da Cooperativa Cultural e Artística Ungambikkula. Autor do livro “Raiz das Estrelas”.

Kaliani Dassi é artista, pintora, ilustradora e muralista da Cooperativa Cultural e Artística Ungambikkula, além de baixista da banda Ungambikkula. Ilustradora do livro “Raiz das Estrelas” de Pavitra Shannkaar.