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Deixar o seu ego fraco, entorpecido, irascível, tendencioso, ocioso, mal-intencionado, viciado e acima de tudo, irresponsável, pode definir pra uma desventura malfadada no astral e até mesmo para a próxima vida no mundo encarnado. No entanto, numa outra versão de escolhas em que não se possa manter a consciência ativa, mesmo que em estados de prazer elevado, pode tornar você, tão somente uma energia limpa e dissipada, disponível para ser reaproveitada na estrutura do milagre da vida, sem a sua marca, sem a sua presença, existência, sem ser.
Compor a existência do Deus em que todos somos, requer justamente um único livre arbítrio de escolher ser. Tratar as suas passagens e metas com respeito, faz de você uma presença sólida e divina pela eternidade…
Afinal, o verdadeiro Deus, vestiu todas as roupas para expressar a manifestação e segue regendo essencialmente, todos os registros que mixam em mutação pela eternidade…

Pavitra Shannkaar é autor e escritor em ética, espiritualidade e autoconhecimento, também é terapeuta transpessoal, cantor e compositor da banda Ungambikkula, além de ser presidente da Cooperativa Cultural e Artística Ungambikkula. Autor do livro “Raiz das Estrelas”.
Quando o desligamento acontecer, ao abandonar este corpo algo fantástico acontecerá.
Toda a atividade vai paralisar e tudo ganhará uma revisão, através de uma poderosa droga do cérebro chamada DMT, uma última e derradeira descarga de felicidade à qual tenho direito e posso me dar.
Os meus neurônios ainda ativos, em penúltima instância, me libertarão das dores e dos medos, vão misturar as imagens dos sonhos, lembranças, fantasias psicodélicas, na verdade em versão de serenidade, vou sonhar como nunca dantes. Assim como uma sagrada e alucinada poesia da alma.
E nessa dimensão poderosa da percepção, farei a segregação até que finalmente possa desvendar-me em minha estrela, minha estrela do âmago, aquilo que sou, até mesmo antes de todos os corpos.
Por tudo algo mágico acontecerá…
Ao dispersar toda a eletricidade do cérebro e somente o tecido morto permanecer enquanto carne esquecida, outras coisas permanecerão.
Comendo e devorando, seguindo em frente, outros bilhões de seres, micróbios, bactérias, e um sem número de outras coisas que ainda vivem em meu corpo, em meus lábios, pelos, membranas, vísceras e pele, seguirão fragmentando em ínfimas partes até que sejam recicladas para estar em bilhões de lugares, ao tempo.
E tão logo, minhas partículas, meus átomos continuarão em Deus. Serão nas plantas, insetos, animais, nas rochas infinitas dos espaços siderais, estarei cumprindo o meu propósito como as estrelas do céu, junto às galáxias infinitas… emilywifelife neve campbell nude emily34wifelife
E quanto a mim? O que verdadeiramente acontecerá?
-Voltarei para casa. Voltarei a ser puro, livre e permissivo junto à fonte primária da criação, a energia que impulsiona e anima todos os corpos, voltarei a ser disponível luz da vida!

Pavitra Shannkaar é autor e escritor em ética, espiritualidade e autoconhecimento, também é terapeuta transpessoal, cantor e compositor da banda Ungambikkula, além de ser presidente da Cooperativa Cultural e Artística Ungambikkula. Autor do livro “Raiz das Estrelas”.
Estar por aqui, é reconhecer o fenômeno sem saber de onde tudo vem ou pra aonde vai…
Estar por aqui, é capacitar a vontade e conquistar o máximo de liberdade que sua percepção possa lhe dar para tentar entender, escolher…
Estar por aqui, é acreditar na ilusão, para desacreditar de tudo e terminar somente com a percepção do ser.
Ser, ter e estar, segue como um laboratório para tudo existir num momento de máxima importância, quando me pergunto, acho que essa dança nunca vai acabar…

Pavitra Shannkaar é autor e escritor em ética, espiritualidade e autoconhecimento, também é terapeuta transpessoal, cantor e compositor da banda Ungambikkula, além de ser presidente da Cooperativa Cultural e Artística Ungambikkula. Autor do livro “Raiz das Estrelas”.


Houve uma remota passagem da natureza dos mundos, consta num shastra, sagrada escritura hindu, em que os demônios se autoproclamaram os donos dos mundos. Destruindo, gerando caos e sofrimento, eles, seguiam à revelia, manifestando a história da arbitrariedade, o uso abusivo de poder, violência, iniquidade, capricho e despotismo.
Mahishasura havia recebido um dom, em virtude de suas austeridades praticadas, realizadas, o estranho sim de, a cada gota de sangue derramado, outro demônio em igual poder a ele renascia.
Confluído e extremamente reforçado por esse estranho poder sobre a vida e a morte, Mahishasura dominou os mundos.
Shiva, encontrava-se absorto em sua profunda meditação de renovação de tudo o que há, quando foi admoestado por seus dois divinos irmãos, Brahma, o da criação do universo e Vishnu, o da manutenção do universo, com a preocupação do irreversível mandato.
Profundamente preocupados, eles diziam : – Mahishasura com sua arriscada façanha adquirida, está levando tudo a cabo de sofrimento, destruição e morte, nós não o conseguimos parar…
Ao que Shiva, em toda sua grandeza e serenidade respondeu: – Calma, vou lá.
Semicerrou os olhos e prosseguiu em profunda meditação, quando de seu chacra frontal, surgiu a Deusa Durga. Armada para o campo de batalha em sua sagrada montaria, o tigre, ela rumou em direção a luta com todo o seu esplendor, beleza e divindade; e a guerra prosseguiu. Durga, avançou destruindo toda a iniquidade, a ponto de perceber que por mais delicadeza que usasse para gerar precisão e velocidade a seus golpes cometidos, sempre outro igual Mahishasura, com todo o poder de maldade renascia para aquele reinado de trevas. Mas, Durga, concentrada em seu eterno devir seguiu perfeita, até que de seu frontal novamente, desdobrou-se para Kali, a terrífica. Num surto catártico de dança da morte, Kali desembrulhou-se para a realização súbita e infalível, de seu derradeiro objetivo. Fadada em seu tórrido frenesi, a desintegradora azáfama que conduzia tudo a um término de poeira, voltou a preocupar os irmãos.: – E agora? Desse jeito o universo vai aluir…
Shiva então abriu os olhos e disse: – Vou lá.
Contudo, já no campo de batalha, Shiva deitou-se aos pés da Deusa Kali e aguardou até que em meio aquela forma da destruição, Kali reconheceu nele o ser amado. Com força mordeu e serrilhou a própria língua para conter a fúria devastadora e tudo parou… o amor voltou a reinar.
Ela, a Kali, em toda a sua grandeza e poder, não é a Deusa da Morte, mas, a vitória do bem sobre o mal.

Pavitra Shannkaar é autor e escritor em ética, espiritualidade e autoconhecimento, também é terapeuta transpessoal, cantor e compositor da banda Ungambikkula, além de ser presidente da Cooperativa Cultural e Artística Ungambikkula. Autor do livro “Raiz das Estrelas”.
A louca correndo em círculos pela pradaria gritava em todas as direções:
– Dormêncio? – Dormêncio?
– Ai, mulher… onde foi parar meu crocodilo?
Muito atenta, a mulher simples que agachada lavava sua roupa no rio olhou e respondeu:
– Os homens passaram para fiscalizar, surpreenderam-no em lágrimas de esguicho devorando o próprio filho, inflamados, assim como o fizeram com o famoso bode, levaram-no para expiar…
Indignada a louca respondeu:
– Que exagero, é comum entre esses répteis comerem a própria cria, e o Dormêncio mal enxergava… Por que o levaram para espiar?
– É que enquanto faziam a catarse, no frenesi da loucura, resolveram te homenagear.
– Quanta demência! Quanta desordem! Não entendi nada
Ao que ultimou a lavadeira:
– Nem eu, por isso sigo lavando a minha roupa.
Essa fábula atenta para as lacunas que distorcem as nossas passagens, quanto aos padrões de incompletude das passagens das nossas vidas, das nossas estórias.
Primeiramente eu gostaria de chamar a sua atenção para uma energia muito específica que assola os nossos padrões, e nesse momento me refiro ao padrão esquizo da coletividade. A palavra esquizo vem de skhizein, que significa rachar, separar, romper. A primeira pessoa que empregou o termo para descrever esse padrão de comportamento foi o psiquiatra suíço, companheiro de Jung, Eugen Bleuber (1857–1939).
Posto isso, então me refiro ao termo, como um padrão de comportamento que adota por hábito a capacidade de romper. Isso vale para as relações, acordos, vínculos, compromissos, deixando sempre uma marca, um rastro de incompletude no caráter. Wilhelm Reich ao decodificar essa energia, descreveu-o como um caráter de compleição franzina, com histórico de rejeição e cisões energéticas nas juntas, em decorrência dos anéis de tensão. Por vezes apresenta um histórico de sofrer muita invasão, abuso e atropelo; como se seus progenitores quisessem ocupar um lugar dentro do seu corpo para corrigi-lo, para educá-lo. Por esse motivo nutre a preferência pela estratégia de recuo ao dialogar. É um caráter de contradição, cujas emoções não costumam acompanhar os pensamentos, as palavras não acompanham as ações. Podendo ter desajustes de coluna e uma irascível resistência por ancorar e fincar suas percepções na realidade física e compromissos do dia a dia. Sua frase de resumo é “proximidade é igual a ameaça de sua própria vida”.
Claro que a essa altura, quando transportamos o padrão para o analisarmos, na coletividade, observamos milhares de pessoas cujos eventos não somam histórias. Eventos pelos eventos, aqui e ali, formam uma roda viva de não realizações, forças giratórias que voltam a reviver semiconscientemente os padrões inférteis.
Eventos sem histórias, movimentos sem ações, acabam por compor uma poderosa massa primitiva que pouco contribui para a nossa evolução.
Agora, gostaria de chamar a sua atenção para um outro padrão, a energia da histeria. O termo vem do grego, hystear, que significa útero. Foi designado às mulheres com problemas uterinos e suas respectivas sequelas hormonais, emocionais. A histeria foi diagnosticada no século XIX. Naquela época, sintomas como irritabilidade, insônia, ansiedade, choro, falta de apetite, entre muitos outros, compunham o diagnóstico de uma doença psíquica que atingia apenas as mulheres. Acreditava-se ser um distúrbio uterino, somado à insatisfação sexual que não levaria ao óbito, mas que seria necessária a massagem vaginal por um médico em consultório. Na época, foi criado um óleo de lírio para isso.
O paroxismo histérico seria o indício de que a paciente teria atingido o seu ápice de descarga; depois de gritos e gemidos, ela voltaria a acalmar.
Anteriormente, em 1653, o médico holandês Pieter Van Foreest já havia recomendado o tratamento, mas a questão fica realmente engraçada quando os médicos passaram a sofrer de lesão por esforço repetitivo. Pelo excesso de massagens aplicadas, culminou toda a aventura no primeiro vibrador mecânico da história, criado pelo médico americano George Taylor que o patenteou de “The manipulator”.
Por volta de 1885, Jean Martin Charcot recebe então como aluno Sigmund Freud, no hospital de La Salpétrière, na França. O hospital das cinco mil mulheres foi um marco na história da psicanálise.
“Médico neurologista de formação, Freud foi contra a própria medicina que produziu, sua primeira ruptura epistêmica. Isto é: logo percebeu que as pacientes histéricas, afligidas por sintomas físicos sem causa aparente, eram, não raro, tratadas com indiferença médica e negligência no ambiente hospitalar.” (ENDO, P.; SOUSA, E.. Itinerário para uma leitura de Freud)
A troco de entender esse desafio que assolava a racionalidade médica da época, Freud aprofundou sua atenção sobre essas pacientes, em busca dos motivos psíquicos que causavam esses sintomas, sofrimentos, ao invés das análises clínicas neurofisiológicas. Ouvindo o que tinham a dizer, e tendo como recurso a hipnose que estudava com Charcot, Freud dá início em 1895 a seu primeiro artigo sobre a psicanálise: Estudos sobre a Histeria, com seu primeiro parceiro Josef Beuer. Dessa forma fica então diagnosticada a histeria.
Vale ressaltar que o caráter histérico, em situações de emergência tende a inspirar e afligir os demais a abraçar sua causa, a defender suas necessidades, ante ao pânico de morrer e/ou enlouquecer, oscilando entre estratégias de agressividades e vitimizações. Esse rompante aturdido pelo pânico de cair em si, pode causar como consequência justamente as cisões em detrimento da catarse explosiva, levando a percepção totalmente para fora de si; assim como a louca da fábula, gritando por Dormêncio, inflamando a lavadeira a abraçar a sua causa. Essa fábula é uma rica ferramenta, no que refere a estudar e entender várias nuances da nossa percepção.
O crocodilo em questão, representa um estado de imersão no todo indiferenciado de forma sombria. Esse leque de percepção extremamente estreito, apesar de profundamente abrangente; está sob o paradoxo de uma grande cisão de um “todo maior”. Sua extremada identificação com o mundo físico, e literalidade da existência, refuta qualquer percepção simbólica, afetiva, espiritual ou representativa dos papéis.
O mito de Oruborus, é representado por uma poderosa serpente que come a própria cauda. De forma caótica, a serpente consegue reconhecer mais agudamente a necessidade de comer; e não o seu próprio corpo, sua própria cauda, voltando a alimentar-se de si mesma sem o perceber. De outra forma, o crocodilo é capaz de comer a própria cria, ante a impossibilidade de vivenciar o afeto, e justamente esse padrão de consciência é o que compõe a grande massa do coletivo, que não consegue desvencilhar-se do torpor que impede a auto-investigação, auto-percepção, individuação.
Estamos falando aqui de um feminino primitivo na qualidade de Magna Mater (matéria magnânima) e toda sua dormência no todo indiferenciado, um padrão de primitividade, em que o mais importante é comer e sobreviver, consequentemente acasalar. Sua dança primitiva na existência da vida jamais poderá vivenciar a evolução, sem o despertar da consciência para a importância da representatividade, sem reconhecer outros níveis de necessidades e sofrimentos.
É sumamente importante compreender aqui, que toda a passagem da histeria na época, compunha um quadro orubórico de aflições; necessidades de saciações, sem encontrar uma solução. Apesar de os indícios apontarem para as mulheres, configurava-se um quadro de histeria coletiva quando os homens passam para fiscalizar.
Outrossim, a despeito de o descontrole ter seu início a partir da louca, o caos se instala de uma forma agravada com o envolvimento do coletivo, de todos os envolvidos em questão.
Atentando agora para a representatividade do bode, do crocodilo, vemos que a ingenuidade, a inconsciência, a imaturidade, expõe o indivíduo à disposição de equalizar o desequilíbrio do coletivo, através da catarse. Vale dizer, que a este coube receber toda a violência dos brutos a troco de acalmar a agressividade no coletivo, em detrimento à sua impossibilidade de defender-se, ao ponto em que a lavadeira prossegue lavando sua roupa para não ser tragada pelo caos. Nesse caso, a sabedoria encontra seu prumo na estratégia de recuo e observação, no cuidado de sua auto-realização.

Pavitra Shannkaar é autor e escritor em ética, espiritualidade e autoconhecimento, também é terapeuta transpessoal, cantor e compositor da banda Ungambikkula, além de ser presidente da Cooperativa Cultural e Artística Ungambikkula. Autor do livro “Raiz das Estrelas”.